Japão: Fazer a Decisão

“Tudo começa contigo, e aquilo que nunca começa, também acaba contigo.”

– Anthony Liccione

Acreditem ou não, eu estive a brincar com a idéia de  mudar-me para o Japão por mais de 10 anos. Quando eu tinha 12 anos, a minha família mudou-se para o Brazil e foi lá que eu fui apresentada à cultura Japonesa. Nem toda a gente sabe que há uma grande comunidade Japonesa em São Paulo, onde vivi dois anos. Uma grande maioria dos meus colegas na escola eram de descendência Japonesa, com nomes de família como Tomida, Yoshino e Uehara.

Os anos passaram e o Japão nunca saiu da minha vida. Eu continuei a devorar mangás e anime, comecei a aprender a língua e estudei gravura. Mais tarde, eu conheci o meu namorado na universidade e o impacto do Japão cresceu ainda mais, já que ele é meio-japonês.

No entanto, não importa quão grande o impacto da sua cultura tenha tido na minha vida, e não importa o quão longo eu tenha sonhado com viver lá, eu nunca considerei a idéia de mudar-me para lá. Haviam muitos fatores contra essa decisão: eu iria estar muito longe da minha família, do meu namorado e dos meus amigos, sem falar do meu medo de terramotos. O Japão era apenas um sonho distante, sempre a flutuar nos fundos da minha mente. Eu dizia sempre às pessoas que estava a planear viver no Japão por um ano, mas nunca tinha realmente acreditado.

Foi apenas mais tarde, no ano passado até, que começou a tornar-se numa perspectiva real. Tive de conhecer dois professores maravilhosos para finalmente perceber que, se eu não fosse para o Japão, eu iria arrepender-me mais tarde. E foi esse facto que me fez chegar à minha decisão.

Acreditem, eu não sou uma pessoa espontânea. Eu planeio as minhas decisões como esta meticulosamente e devagar. Mas, comparada com outras decisões, esta foi feita muito mais depressa. Foi como se uma lâmpada se tivesse ligado de repente no meu cérebro e tudo ficou mais claro.

Blogjapanwhat

Eu lembro-me de que liguei ao meu namorado assim que decidi, para lhe contar a novidade. Contei-lhe como tinha decidido ir para o Japão no ano seguinte (2016), não importava o que ele faria. É claro que ele não ficou muito feliz. Os primeiros dois anos do nosso namoro foram à distância e a perspectiva de voltar a isso não era apeladora, mas ele suportou a minha decisão. Depois disso, eu contei à minha família, mas eles não disseram grande coisa, já que ainda não era uma coisa certa na altura.

O que eu estou a tentar dizer com este post é que ir para o Japão não é uma decisão que se deva tomar levemente. E com certeza não é uma decisão que se faça sozinho. Não importa o que a tua situação é, a tua decisão vai afectar outras pessoas também, e deves manter isso em mente.

Outra coisa que se deve considerar é se será bom para a tua carreira. Será um passo para a frente, ou para trás? Eu certifiquei-me de que seria uma passa para a frente quando estava a enviar aplicações, sempre a procurar por algo que me daria experiência a ensinar crianças, pois essa é a única falha no meu currículo.

Além disso, nunca subestimes o poder do choque de cultura. O Japão tem um conjunto completamente diferente de regras e de maneirismos que tu podes interpretar como rudes, frios ou distantes. E eu acho que isto deve acontecer muito num ambiente de trabalho. O Japão tem uma cultura de trabalho completamente diferente da dos países ocidentais, e isso pode tornar-se um grand obstáculo quando estás a tentar habituar-te a um novo país.

Eu até sugeria que deviam visitar o Japão antes de decider se querem viver lá ou não, se tiverem a oportunidade. Eu acho que iria ajudar a fazerem a vossa decisão. Tentem ver se conseguem imaginar-vos a viver lá ou não, e lembrem-se que muitas companhias vão pôr-vos em zonas mais rurais onde as pessoas não falam inglês. Foi exactamente isso que eu e um outro professor fizémos, e eu acho que ajudou-nos a perceber o quanto queríamos viver lá.

E, mais importante do que tudo, têm de se lembrar que o Japão é um país como qualquer outro. Sim, o Japão é indescritívelmente (isto é uma palavra?) de tirar o fôlego, mas não é mágico. Todos os vossos problemas não vão desaparecer quando forem viver lá.

 Pode soar um pouco pessimista ou que estou a tentar desencorajar-vos, mas o caso não é esse. É uma grande decisão e devem pensar sobre ela cuidadosamente. Eu recomendaria perguntar a outras pessoas o que as suas experiências foram. Há uma grande comunidade de JVloggers no Youtube que já passou por esta experiência e eles estão mais do que dispostos a falar sobre isso e a dar conselhos. A internet foi o meu maior recurso quando estava a procurar por histórias e conselho, e vocês deviam usá-la e abusá-la também.

No próximo post vou escrever sobre o meu processo de aplicação e como decidi para que companhias devia enviar o meu currículo.

Até à próxima,

Inês

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